Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

José Luís Peixoto outra vez.

Isto é mesmo assim. Sou completamente fã do José Luís Peixoto já desde os tempos do DNJovem, quando o escritor mundial que é hoje era, na altura, um puto que escrevia bem. Mas o tamanho do sentimento de devoção que tenho por este homem assemelha-se ao fanatismo que tenho por alguns jogadores do Benfica, nomeadamente Rui Costa. Já pode ver o nível de histeria que tenho por José Luís Peixoto.

Felizmente, há uns anos, quando colaborava com a Feira do Livro da Nazaré (fazia o grafismo corporativo ao mesmo tempo que arrumava os livros e montava as bancas) houve a incrível oportunidade de José Luís Peixoto vir a esta terra esquecida, falar um pouco com os leitores. No início ainda nem queríamos acreditar que O Peixoto vinha à nossa Feira...

Ora, eu naturalmente já tinha lido entusiasticamente todos os seus livros e, claro, fui convidado a entrevistá-lo, numa mesa aberta, também, às questões do público.
















Sinceramente, estava tão entusiasmado por conhecê-lo que nem tive tempo de ficar nervoso. O que é estranho, agora que penso nisso. Estar ali com o homem que escreveu aqueles textos, textos que nos fizeram sentir bem em determinados momentos, mal noutros... Um homem que faz parte da nossa vida, da nossa vida íntima, como só um escritor pode fazer. E ali estou eu a jantar com ele, a falarmos de coisas banais. E ali estou eu a entrevistá-lo, a fazer-lhe perguntas não como jornalista, mas como leitor atento, leitor daqueles que aponta, que sublinha os livros. E ali estou eu a beber uns copos com o José, agora é o José, no Pé-Leve. Ali estou eu a acompanhá-lo ao carro, a pedir-lhe a última assinatura no livro, no meu livro, no "Uma Casa na Escuridão", a dar-lhe um comovido abraço de despedida.

É como lhe digo: este momento glorioso com o José Luís Peixoto será relembrado por mim como aqueles loucos, aqueles fanáticos que dizem já ter estado com o Eusébio, que dizem ser grandes amigos do Eusébio - mesmo que só tenham estado uma vez com ele. Perdoem-me o fanatismo, mas este dia será lembrado por mim para sempre. Será contado aos meus netos, com comoção, especialmente quando for contado assim: O avô já passou um belo dia com esse Prémio Nobel...

Isto tudo para dizer que José Luís Peixoto é o herdeiro de uma sucessão de grandes escritores portugueses, herdeiro directo de António Lobo Antunes e de Saramago. Ele vai ser, a par com Gonçalo M. Tavares, o nosso orgulho na área da língua. E, apesar de todo o seu sucesso mundial, continua a ser a mesma pessoa de sempre, despretensiosa, desligada do mítico mundo dos escritores. Simples e humilde. A prova? Está aqui:




Só um escritor perfeitamente à vontade com o seu mundo é que se submente a este rigoroso teste do excelente programa Vai Tudo Abaixo.

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