Eu gosto de cidades. Gosto imenso de cidades, apesar de ainda não ter morado numa cidade a sério. Quero dizer, Lisboa é uma cidade, mas é uma das mais pequenas da Europa. Já passei por algumas das grandes capitais do nosso continente, mas apenas durante alguns dias. Durante esse tempo não dá para experienciar a vivência citadina.
Acima de tudo, gosto do ambiente urbano, do ritmo, do barulho, da multidão. Gosto do ambiente industrial. Gosto dos graffitis.
Hoje levantei-me cedo e, enquanto ia para a ACISN, pude aperceber-me do porquê desta terra ser tão especial. À medida que ia caminhando e ia vestindo o casaco, houve uma velhota viúva que me viu e que de imediato me disse: “Veste-te, veste-te que vem aí frio”. Aqui conhecemo-nos uns aos outros, mas, por acaso, aquela senhora em particular era-me totalmente desconhecida.
No caminho, a pé, vi um gato tranquilo, dormitando no meio da estrada, sem receios. O único barulho que se ouvia era o do mar. Nada de automóveis, nada de poluição.
À vinda da ACISN cruzei-me com um senhor que tem 87 anos de idade e que parece mais novo do que eu. Chama-se Elpídio Borges e é um tipógrafo reformado. Estivemos cerca de duas horas na conversa. Duas horas excelentes, onde aprendi muita coisa, numa área que em 10 anos mudou radicalmente. Achei tão interessantes os ensinamentos do senhor Elpídio que lhe pedi de imediato para me conceder uma entrevista para publicar aqui neste blogue. Por isso, brevemente, aqui estará um trabalho altamente pedagógico com os ensinamentos de um antigo tipógrafo, quando para paginar era um processo de artesão.
Ainda no caminho para casa, parei imensas vezes para cumprimentar e falar com pessoas que já não via há muito. Sobretudo com o Emídio, dono do café Flamingo, grande benfiquista, com quem fiquei a falar um bocado sobre os jogos de ontem.
Chego a casa e penso: viver assim é luxo impagável. Só é pena não haver um Galeto para a malta comer bifanas às 4 da manhã, nas longas noitadas de paginação!

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