Como disse não queria embarcar por aí. Acima de tudo, este documentário é um objecto único que capta os diferentes ambientes de JCP. O escritor e a sua escrita, o homem e a sua família, as amizades e os problemas de saúde. E também se torna rico porque qualquer intervenção de JCP é uma pérola. Ficam aqui alguns highlights que gostaria de partilhar convosco:
- "Sinto-me feliz por estar só. Gosto da solidão e para escrever é preciso estar só".
- "A função da escrita é corromper. Mas corromper a escrita é difícil".
- "Ser meticuloso é um institinto de defesa".
- "Eu sempre procurei uma máquina de apagar, nunca procurei uma máquina de escrever. Os computadores são essa máquina de apagar".
- "No cinema aprendemos a contar".
- "O Neo-realismo ajudou a limpar a prosa. Com os erros todos que fez, promoveu aquela libertação da literatura portuguesa. Começamos a ser mais abertos".
- "Quando amamos uma pessoa há um sentido de propriedade terrível".
- "Não tenho saudades de mim. (...) O pior fardo que tenho sou eu próprio. (...) A pessoa vai ao espelho, olha-se e diz: "Tu também és um grande filho da mãe".
- "A medicina também serve para ajudar a matar. Admiro muito a eutanásia e não tenho paciência para esses falsos heróis que só querem salvar as vidas".
Não sei se estas citações lhe diram alguma coisa sem o devido contexto da entrevista. Mas ficam aqui algumas das ideias daquele a quem gosto de chamar o Hemingway português, um dos grandes escritores da história e que está dotado de um esquecimento doloroso.

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